
Uma notícia aos desavisados: pessoas não são deletáveis. Pode-se fugir do contato, evitar os olhares e a risada, não trocar mais ideias, nem ouvir as mesmas músicas. As lembranças ficam, porém. Saltitam de um lado a outro da cachola, armazenadas em um HD onde botõezinhos de block, delete ou unfollow simplesmente não existem.
Pessoas invadem as vidas umas das outras sem pudores, mas nem sempre entendem que, se algo não sair bem no caminho, as coisas não se resolvem com um clique. Quando nos damos conta, figuras tão importantes em determinado momento de nossas vidas foram parar na lixeira do computador. É, então, que vem a pergunta: em quantas e em quais lixeiras estamos? A revolução tecnológica trouxe facilidades, mas também a ilusão de que é possível informatizar o não-informatizável: as relações.
Nenhum twitie, sms, e-mail, msn ou afim é capaz de substituir o olho no olho, a pupila dilatada, a respiração acelerada, o coração batendo. Nada substitui as desculpas cara a cara, o abraço, o toque, o som de uma boa e velha gargalhada seguida e um olhar de cumplicidade. É isso que torna as pessoas não deletáveis. É isso que as fazem eternas na lembrança.
A vida nos distancia de muita gente. Isso nem sempre é ruim. Muitas vezes, a distância é natural e necessária. Isso significa que aquela pessoa já nos ensinou o que precisava ensinar. E vice-versa. Seguir por caminhos diferentes de alguém que nos faz mal é saudável. Maravilha: podemos escolher! Afastamentos são absolutamente normais. O que não é normal é achar que um botão resolve tudo.
Coleciono e continuarei colecionando pessoas. Eu não deleto ninguém da minha vida. E você?