Vanessa da Mata

Ela queria um pouco de paz. Mais que querer: ela precisava. E era do tipo de paz que só a natureza pode oferecer. Os sons, aromas, texturas e temperaturas da natureza que parecem compilar as maravilhas do mundo. Caixinha com os guardados de Deus. Só a natureza para ajustar o que em nós é desequilíbrio. Chega um momento em que apenas o contato com essa representação pura de Deus pode nos restaurar.
É por isso que ela foi para longe. Sobrevoou a cidade como se estivesse sobrevoando a própria vida. Olhou para baixo como se soubesse que, quando voltasse, seria outra pessoa. Ou melhor: voltaria a si mesma. Viagens sempre foram encontros interiores. Às vezes, é preciso livrar-se dessa roupa chamada rotina para lembrarmos o que há por baixo dela. Viagens nos deixam nus. Uma nudez abençoada. A nudez da leveza, da coragem de desbravar novos mundos e conhecer novas pessoas. Quase sempre conhecer mais de si mesmo.
Ela foi ver o mar. E poucas coisas na vida a fazem sentir-se tão bem quanto a brisa da praia no rosto, o toque dos pés na areia. Precisava disso. Corpo e mente exaustos, coração dolorido. Todos sussurrando pelo equilíbrio, o descarrego, a paz.
Ela foi para longe. Não seria para sempre. Alguns dias seriam suficientes. Tudo o que ela queria era curar-se. De si, dos outros. E lembrar que é possível e delicioso renascer a cada dia, sem complexidades. Com as mesmas simplicidade e beleza com as quais o sol nasce diariamente sobre o mar.
PS: Estarei fora de casa por uns dias. Talvez poste menos durante esse período, mas acreditem: meu corpo, minha alma e minha inspiração agradecerão. Espero que vocês também. :)