Queridos,
Migrei os textos do blog Jornalisticamente Incorreto para meu novo blog, Fio de Ariadne.
Os textos antigos continuam lá e continuarei escrevendo normalmente no novo endereço e replicando no facebook (http://www.facebook.com/adonadofio).
Espero vocês na casa nova!
"A casa é sua. Por que não chega logo?"
http://adonadofio.blogspot.com.br/
Grande abraço!
Ariadne
Jornalisticamente incorreto
domingo, 1 de junho de 2014
sexta-feira, 16 de maio de 2014
De cara limpa
"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular."
Marisa Monte/Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes
Gosto de me arrumar. Cabelo, roupa, acessórios, maquiagem. Mulherzinha dos pés à cabeça. Mas nem sempre é assim. Existe o dia do não. Há dias em que parecer bonita não importa. Hoje vou assim: vestida de mim mesma, de cara limpa, sem disfarces ou esconderijos. Todos nos movemos diariamente no esforço de parecer mais interessantes. Cansa. Leva energia. Hoje eu me poupo. Quem não gosta do que vê que feche os olhos. Ou, então, os curiosos que aproveitem e me olhem, inspecionem, analisem minha versão mais genuína. Nem sempre ela é assim, escancarada. Aprendi com a vida a me guardar pra permanecer inteira. A quem quiser ver, um alerta: talvez você não goste do que vai encontrar, mas pode ser que se encante. O bruto muitas vezes é mais interessante que o lapidado. Questão de gosto, percepção ou até de momento. E o meu momento é este: despida de qualquer disfarce, sem muros, mas também sem estradas. Quem quiser conhecer este mundo particular que se achegue. Não garanto a satisfação do passeio, mas prometo mostrar mais que a monotonia de estar sempre arrumada e bem resolvida.
domingo, 13 de abril de 2014
Doces amarras
São seus olhos. Não que eles me vejam de maneira especial. Na verdade, talvez eles nem me vejam. Mas são eles que ainda me prendem de alguma forma. Tenho pernas livres pra seguir. Belas e cansadas pernas que insistem em ficar. Caminham suavemente em círculos, como uma dança em torno dessa perigosa trilha chamada vontade. São pernas vigilantes aos próprios desejos. E elas também desejam seus olhos. Querem ser cobiçadas por eles. Mas eles, altivos, nem notam. Não desisto. Os enigmas me atraem. Gosto de criar e o mistério é um convite à invenção. Invento você como eu quero. Bem mais interessante assim.
Seus olhos continuam arrastando os meus, como ímãs. E eu permaneço entregue. Não sei, ao certo, se a você ou ao desenho que fiz no pensamento. Fantasia e realidade é a mistura que me move. Pouco importa que não seja saudável. O que vale é que me leva de um lugar a outro de mim mesma. Prisão com sabor de viagem. E eu me deixo levar. Pelo seus olhos e pela sensação de vôo. Simulação movida a sentidos. Ainda caio desta nuvem que me ampara! Dou de ombros. Viver é correr riscos. E eu adoro.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Viagens
Ana Carolina começou a cantar suave no som do carro, acionando o botão do pensamento em Clarice. É mais gostoso pensar com música. É como se as notas fossem também um meio de transporte. Nos primeiros graves e agudos, Clarice já não estava ali. O carro seguia sozinho em retas e curvas, cumprindo o papel de ir a algum lugar. Clarice também viajava, por outros meios. Estava sozinha mais uma vez. Sabia o quão deliciosa pode ser uma companhia, mas estar sozinha nunca a incomodou. Gostava de estar consigo mesma.
Há pouco, aquele homem havia ido embora. Na verdade, seus pensamentos há tempos não estavam mais ali. Clarice notava, mas disfarçava, na tentativa de encontrar um caminho que o trouxesse de volta. Não encontrou. Ele foi indo, aos poucos, até sumir no horizonte, onde ela não alcançava mais. Incomodou-se ao ver a estrada vazia, mas ela não se esforçou em segui-lo. Não havia mais motivos. Agora, mais uma vez, caminhava sozinha. E faria isso muito bem, como tantas vezes na vida.
Olhou em volta. Estava chegando ao seu destino. O carro foi diminuindo o ritmo, até parar onde o esperavam. Clarice respirou fundo até estacionar também os pensamentos. Pouco antes de desligar o carro, Ana Carolina ainda cantarolava: "ficar sozinho é pra quem tem coragem". Verdade. Ainda bem que isso Clarice tem de sobra.
terça-feira, 25 de março de 2014
A importância de desistir
Conferi no dicionário. Desistir: renunciar; abrir mão de; não querer continuar; abster-se. Lembrei dos conselhos tantas vezes recebidos: não desista, siga em frente, persevere! Normalmente obedeço. Sou das mais resistentes. Mas chega hora em que o corpo cansa, a cabeça esquenta, o coração quer sossego.
Hoje eu quero desistir. E não há mal algum nisso. Desistir nem sempre é abrir mão de algo bom. Muitas vezes insistimos no que já não funciona (ou nunca funcionou). Arrastamos histórias, acumulamos mágoas, alimentamos expectativas que só aumentam a ansiedade e a insônia.
Eu desisto. Renuncio a esperanças infundadas e desejos escondidos. Abro mão do risco. Não quero continuar o que já não me faz bem. Abstenho-me da espera.
Desisto e ponto. Sem olhar para trás. O novo é o que me interessa. Às vezes desistir nada mais é que ganhar um mundo de outras possibilidades. Não é o fim. É o início de um novo caminho. Mais divertido, mais leve, e sem essa corrente incômoda que me impede de desbravar o mundo.
quinta-feira, 6 de março de 2014
À deriva
Um abraço talvez bastasse pra acalmar a dor de quem sabe pouco da vida. Mas não têm outros braços. Não tem calor. Não tem ninguém agora.
A dúvida é a única certeza que restou. Certeza? Já houve alguma? Não sei. Viver é estar sempre à deriva. Terra firme é paisagem. Ou passagem. Lugar de barco é em alto mar.
Sou um barquinho safado, sem bote salva-vidas e sem regras pra navegar. Por isso, a dúvida. Por isso, a dor. A liberdade nem sempre é suave. Às vezes desce rasgando a garganta, como água salgada num afogamento. O corpo, prudente, busca uma forma de expulsá-la, mas sabe que, no fundo, afogar-se é construtivo. Sobreviver às águas é sempre uma redenção.
Não saber dói e vai doer sempre. Quem sofre a própria ignorância tem a estranha mania de nunca saber o suficiente. Aprender não significa conquistar tudo. A sabedoria é como o mar. Impossível explorá-la inteira. Quando você acha que vai alcançá-la, um vento sopra o barco para o horizonte e, então, surge o infinito. De águas e de saberes. Difícil estar à deriva nessa hora. Talvez um abraço resolvesse. Talvez.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Tintin
Minha amiga Elis diria que é clichê, que eu sou muito sugestionável e que nada muda além de um número. Eu me aborreceria, se não a conhecesse tão bem. Elis se faz de durona e banca a diferente, mas no fundo é igualzinha a todo mundo: ela também faz autoavaliações todo fim de ano. Eu nem faço questão de disfarçar: impossível não me render à egrégora mundial. Eu, que penso demais o ano inteiro, vou me privar disso justo agora, quando a renovação do calendário bate à porta e me oferece milhões de variáveis filosóficas?
É dezembro. O corpo está cansado, se arrasta sob a promessa do descanso e da chegada de um novo ciclo. Cabeça e coração sofreram estímulos diversos ao longo do ano. Hora de incinerar todo o lixo emocional. O que eu levo do ano que se vai é leve. E o melhor é saber que de leve o tal ano teve pouca coisa.
A vantagem de parar um pouco no fim do ano é exatamente esta: faxinar a alma, peneirar os meses que passaram, deixando apenas o que eles trouxeram de bom: as relações, o amadurecimento, as gargalhadas e os abraços que se instalaram na memória. As decepções e as dores já cumpriram seu papel. Então, que fiquem lá, no meio do lixo não-reciclável de 2013. As cicatrizes, se inevitáveis, que sejam esquecidas no dia-a-dia e, quando lembradas, sirvam apenas para dizer que fui forte e venci os traumas. Aprendi, cresci. E deixei os pesos todos para trás.
Normal que agora também venham expectativas e curiosidade sobre o que Deus vai escrever em mais um capítulo da vida. Ainda não inventaram uma vacina contra as tolices humanas. Então, eu sigo, como todo mundo, esperando o que a vida vai trazer. Vou trilhando o caminho, tentando acertar pra diminuir o lixo a ser incinerado no final do ano que vem. Melhor do que jogar fora o que não serve mais é aproveitar ao máximo o que você construiu ao longo dos meses: porque é fácil de carregar, porque traz conforto, porque alimenta a alma. Que sejam muitas as doçuras e levezas que eu carregue comigo em 2014.
À minha amiga Elis, e a você que me lê, sugiro esse saudável exercício de limpeza. E deixo os votos de um delicioso e feliz número novo. Tintin. ;)
Marcadores:
Clarice,
Coisas que acontecem com todo mundo,
Crônicas,
Elis,
Retrospectiva
Assinar:
Postagens (Atom)





