domingo, 24 de outubro de 2010

Tanta saudade


É como se tivesse um buraco. Dá até pra sentir o vento passando. Falta alguma coisa. Desconfio que seja meu coração. Mas ele está lá ainda. Continua onde sempre esteve, pra te abrigar sem ressalvas. O problema é a saudade. É ela que faz o buraco. Eu puxo o ar com força. O buraco continua lá. É porque você não está aqui. Às vezes esqueço que saudade dói tanto. Ela cria o vazio da lembrança. É uma projeção. A gente vê, sente (e como sente!), mas não toca. É uma imagem vazia. Um filme que a gente quer continuar e não consegue. Não consigo tocar seu rosto, sentir seu perfume, nem ter o seu abraço de novo. É aí que dói. O ver e não ter, o sentir e não tocar. Como disse Clarice Lispector, é “como se faltasse um dente na frente”.

Por favor, venha logo. Antes que eu me perca inteira.