
Desculpe-me. Não estou inspirada. Talvez seja esse amor, que não passa de uma promessa. Ou, quem sabe, essa saudade, que não tenho tempo nem grana pra matar. Pode ser ainda essa gente imatura e difícil que surge no caminho. Quiçá seja eu mesma e essa terrível mania de tentar entender o mundo. Mais fácil, enfim, que seja tudo isso, junto e misturado, dentro desse coração que já não é dos mais exemplares. É inferno astral. Talvez isso ajude. Ou melhor: atrapalhe. Acho que um bom colo resolveria tudo. Ou pelo menos me traria mais conforto para enfrentar.
Hoje tem um mundo cinza dentro de mim. O céu nublado, nenhuma cor, nenhuma estrela. Não gosto disso. Não sou assim. Tenho uma aura colorida e aconchegante, feliz em alegrar o que precisa de um pouco de cor. Quero minha aquarela de volta. Não é qualquer chuvinha que vai tornar meu mundo gris.
Ei, Deus, pode me ajudar a faxinar a alma? Desenha um sol aqui no lugar dessa nuvem e faz aquela árvore florescer. Agora me ensina a ventilar a casa, sem deixa-la vulnerável ao que não presta. Põe um balanço no meu quintal e um sorriso na minha cara. Um abraço de pai, um colo de mãe, um beijo de amor. De resto, só a certeza de que, não importa o quão cinza meu mundo possa ficar, basta jogar um balde de tinta pra fazer tudo colorido outra vez.