segunda-feira, 28 de junho de 2010

Trocas da convivência

Conviver é uma troca. Como toda troca, pode ser vantajosa ou não. A boa notícia é que quem determina se vai ser vantajosa ou não somos nós mesmos. Quando convivemos com alguém, a relação freqüente acaba nos brindando com um pouco do que o outro carrega. Às vezes incorporamos trejeitos, expressões, ideais, visões de mundo e até mesmo características da pessoa próxima. O que percebo, entretanto, é que nem sempre há um filtro, um “controle de qualidade” do que extrair de outra pessoa.

Reparo o quanto é delicioso aprender com o outro e até mesmo mudar nosso ponto de vista por entender que o dele é mais bacana. No entanto, vejo que o que algumas pessoas absorvem de outras é exatamente aquele defeitinho chato, que lhes tira todo o charme. Uma mania, uma implicância ou até mesmo a falta de sensibilidade. Algumas pessoas têm o dom de ensinarem às outras como não sentir. Outras têm o dom de aprender. Quando duas pessoas assim se encontram, o resultado é a multiplicação de chatices.

Penso, então, que, antes de ser uma troca, conviver é uma arte. A arte de saber que o outro sempre tem coisas muito mais legais pra nos doar do que defeitinhos absolutamente deletáveis. A procura por algo de bom pode ser longa em alguns casos, mas, sem dúvida, vale bem mais que multiplicar chatices por aí. Se for para brincar de matemática, que seja povoando o mundo de boas ações, bons sentimentos, boas atitudes. Exercício de hoje: pensar sobre o que estamos, sem perceber, aprendendo. E ensinando.