
Às vezes dá raiva ser assim tão guardada. Tem uma guarda imperial em torno de mim. E tudo o que eu consigo é deixar alguém burlá-la de vez em quando. Do lado de cá, as coisas são legais, juro. Dá vontade de mostrar, às vezes, mas eu tenho medo. É que já andaram fazendo bagunça aqui dentro. Complicado isso de confiar nas pessoas. Se Deus abrisse uma caixinha de sugestões, eu escreveria que pessoas boas deveriam, sim, ter estrela na testa. Seria tão mais fácil! Ultimamente, o mundo anda tão complicado, as pessoas tão egoístas e ambiciosas, que comemoro sempre que alguém me surpreende positivamente. Atitudes boas tornaram-se raridade a ser comemorada com toda a pompa.
De vez em quando, me sinto como Renato Russo. Sou meio deslocada no mundo. Lembro da música em que ele escreveu: “tenho quase certeza que eu não sou daqui”. Sabe, Renato... Eu também. Pergunto-me seriamente, pelo menos duas vezes ao mês, o que estou fazendo aqui. E, em cada uma delas, lá vai uma semana tentando encontrar a resposta. Não encontro, é claro. Talvez o sentido da vida seja exatamente este: buscar respostas. Às vezes, a gente até acha que encontrou, mas não demora a perceber que foi alarme falso. E, então, seguimos procurando. Isso embola os miolos, mas, quer saber? Acho o máximo. É o grande jogo da vida.
Adoro procurar respostas. Diria que é um dos meus maiores prazeres, se não o maior. Buscar respostas, entender as pessoas, colecionar histórias que hoje podem ser verdades universais, mas, como somos uma “metamorfose ambulante”, amanhã acabam caducando. Essa é a maravilha de viver. Nada é certo. E, por isso mesmo, essa instituição chamada vida, com todos os seus sins e nãos, é absolutamente inabalável.
Preciso confessar uma coisa: acabo de conceder férias à minha fiel e pomposa guarda imperial.