
É uma sombra, uma foto amarelada. É uma tela inacabada que insiste em adornar minhas lembranças. É um sentimento interrompido, oprimido, reprimido. Uma dor sem comprimido. É um programa de TV popularesco, desses que repetem exaustivamente as imagens e clichês, crucificam os vilões, santificam os mocinhos. É uma fuga sem sucesso: sempre sou capturada.
É um jogo confuso, já perdido, mas insisto em jogar. Eu contra eu mesma. Nenhum adversário, a não ser minhas próprias recordações. Mexe com o coração, mas sobretudo queima fosfato. Quem explica?
É insônia, é algema, é fantasma. Quiçá apenas uma revolta escondida. Vez ou outra cutuca. E eu, tolinha, sempre me viro para dar ouvidos a ela.