terça-feira, 8 de junho de 2010

Em queda livre


Meus olhos olham,
fogo e frio.
Meu olhos choram,
chuva e estio.

Entrego o sonho
e a certeza.
Perco a esperança
e a fineza.

E lanço ao alto
- me lanço ao alto! -
toda a vontade de ser livre,
todo o desejo que não tive,
toda a entrega que contive,
toda algema que guardei.

E no meu vôo de Ícaro,
sem sol, sem cera,
um vôo solto, quase um rito,
sem amarras, sem espelhos.
Toda a essência que retive.
Na paz da minha entrega,
a êxtase de ser livre!